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Ameijoas, Camaroes, e uma costa abençoada

Selvagem, verde, larga e generosa de areia, longa para caminhar até cansar, ventosa e às vezes odiosa por causa dessa fúria desencadeada em sua costa. A praia de Rocha nos oferece aquele banho perfeito, refrescante e agradável, deixando a pele salgada e firme e um cansaço perfeito para um cochilo nas férias. Dito isto, o prazer de sua costa, seu mar e sua areia sempre andam de mãos dadas com outra atração que para aqueles que são amantes da boa comida é uma dupla imbatível, as amêijoas amarelas
da costa da área do balneário La Coronilla e os camarões do sistema de lagoas de Rocha, de Castillos e a barra do Arroio Valizas. Estes produtos que nos dão o seu ecossistema costeiro marcam este departamento com uma estrela no mapa do país por ser abençoado pela natureza com a presença destas duas espécies.

A AMEIJOA: TEMPO DE PURGA

A amêijoa amarela esteve sempre presente na minha casa. Caminhar ao longo da costa em busca dos buraquinhos que aparecem quando a onda se retira e correr para fazer o poço e afundar os dedos na areia até encontrar-la era um jogo diário. Às vezes enchiamos o balde, mesmo que os pescadores da família comprassem amêijoas dos locais que
passavam de carroça vendendo sua colheita.
Mas foi o ritual da minha mãe que fez a presença do molusco especial na minha casa. Sem hesitar, assim que chegavam , eram colocadas a purgar. Uma bacia no jardim funcionava como uma piscina de filtragem e, por turnos, as crianças da família faziam uma procissão diária até a praia para buscar água fresca para terminar o processo, até que a água saia limpa ,sem areia. Então, aparece o pote de amêijoas com óleo em conserva, sagrado na mesa de verão.
Ou a massa com amêijoas e berbigões e amêijoas gratinadas com queijo parmesão e alho,ao forno. Esta prática de purga e, em seguida, comercialização na última década teve um impulso feliz entre ameijoeiros tradicionais da faixa costeira que vai de La Coronilla até a Barra del Chuy. O interesse dos chefs como Maria Elena Marfetan, Juan Pablo Clerici e Alejandro Morales de servir este bocado delicado em seus restaurantes deu a amêijoa amarela um lugar que nunca foi tão forte como hoje.
Os anos de colheita foram e são desiguais e difíceis de ler para aqueles que seguiram seu ciclo com determinação. A dependência deste molusco de condições meteorológicas, dos fenómenos tais como maré vermelha, a temperatura variável e a salinidade do mar, fizeram a sua presença na mesa por vezes estável, por vezes baixa e nula em momentos. Mas sempre desejada e procurada tanto por aqueles que vivem da sua colheita e comercialização como aqueles que procuram tornar este produto uma
exclusiva delícia num bom cardápio de frutos do mar.

Famílias Ameijoeiras

Há aproximadamente 36 famílias envolvidas no projeto de recuperação da . . amêijoa. As famílias de tradição ameijoeiras na área de La Coronilla são os Rocha, os Pereira e os Aguero. Gabriel Rocha, junto com sua esposa Nancy Schuch, são os responsáveis, desde 2012, pelo empreendimento Amêijoas Palmares para limpar, purgar e preparar o molusco para uso comestível.
Telefone de Amêijoas Palmares: 095 540 541

O CAMARÃO: LUZES E ARMADILHAS NA LAGUNA

A pesca de camarão nas lagoas de Rocha e Castillos e no Arroio Valizas pode ser localizada entre o final de fevereiro e abril e é outro momento esperado no litoral de Rocha. A duração do período varia muito de acordo com as condições meteorológicas.
Especialmente a chuva é a que determina quando o melhor momento chega para sair a captura. No Lagoa de Rocha,o espaço de terra de areia que a separam do mar, abriga milhares de aves, garças, flamingos e cisnes de pescoço preto. O pôr do sol de verão na costa é longo e espetacular. Quando chega a safra , quando fica escuro, as luzes são vistas de longe marcando as armadilhas no espelho de água.
Ao longo de suas margens, as famílias de pescadores preparam-se para iniciar a atividade que as manterá em suspense até que a pesca termine. É o seu modo de vida e este é o momento principal do ano. Se sai para a lagoa em chalanas a motor e colocam armadilhas, que são tubos de rede com anéis de metal por onde entra o camarão atraído pelas luzes dos faróis que são colocados em estacas fincadas no barro areoso do fundo, estratégicas. E é só esperar.
Por um tempo, rotinas e horários mudam. É um trabalho familiar. Se sai de tardezinha, de noite, de madrugada, para checar as armadilhas. A água é iluminada como uma cidade flutuante, caminhões e vans com equipamentos de refrigeração esperam pacientes que venham as chalanas carregadas com camarão.
A quantidade de quilos e o tamanho é variável ano a ano, e as expectativas são sempre altas. Supõe-se que o tamanho mínimo para sua captura seja de 10 gramas. No ano passado houve um tamanho excepcional de até 60 gramas, e preparamos muitos quilos em família.
É também um momento muito importante para a gastronomia de todo o país, tanto dos chefes locais como dos que vem de Montevidéu para aproveitar desta delícia. Dado que o Uruguai não tem uma grande variedade de frutos do mar, sua temporada sempre desperta expectativa nos restaurantes que o adicionam ao seu cardápio.
Este crustáceo faz parte, juntamente com a amêijoa amarela, de um grupo privilegiado de verdadeiros produtos regionais da época, com uma localização geográfica marcada. O valor de sua qualidade e sabor é incomparavelmente superior a qualquer outro que possa chegar ao país. A possibilidade de comê-lo fresco permite desfrutar desse sabor doce, com uma textura firme e macia ao mesmo tempo. Então, quando chega a notícia de que os primeiros quilos estão saindo e a colheita começou, vou tomando a estrada rumo a Rocha, para estar lá e não perder essa reunião anual com um produto que está no topo da minha lista de favoritos.

Pelo camarão

Existem alguns personagens presentes desde sempre em suas costas ,cujo nome é sinônimo de pesca na Lagoa de Rocha. Um deles é Pepe Lobato. Ele tem sido ligado a essa tradição de pesca de camarão e, com sua família, há muitos anos, continua com essa atividade. Fora da época de safra, ele faz passeios guiados pela lagoa e sua área de influência.
Pepe Lobato: 098 801 942

Na área do Arroio Valizas, ao lado da ponte que o atravessa, está Ruben Veiga, pescador com mais de 40 anos na área, dedicado à safra do Camarão Pesca no arroio e na Lagoa de Castillos.
Ruben Veiga: 099 229 847 – 4470 5177

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